Guia de Doenças e Tratamentos

Quando se conhece melhor as diferentes doenças e seus tratamentos torna-se mais fácil o diálogo com o médico, entendendo suas orientações e conseqüentemente abreviando o tempo do tratamento.

As informações contidas neste site são destinadas ao público brasileiro e têm caráter informativo, não devendo ser usadas para incentivar a automedicação ou substituir as orientações médicas. O médico deve sempre ser consultado a fim de prescrever o tratamento adequado.

 

Letra A

Acromegalia

O que é acromegalia?

A acromegalia é uma doença rara e de diagnóstico tardio, causada pelo excesso de hormônio do crescimento (GH - Growth Hormone) que, na maioria das vezes, é decorrente de um tumor benigno na hipófise, uma região do cérebro.

A diferença entre acromegalia e gigantismo está no momento em que a doença se manifesta. O gigantismo tem seu início durante a infância ou puberdade, enquanto a acromegalia ocorre quando o crescimento já está completo.

No Brasil, ainda não há estimativas de incidência da doença, mas, mundialmente, 3 a 4 novos casos são diagnosticados a cada um milhão de pessoas, por ano.

Como diagnosticar a doença?

Diagnosticar a acromegalia precocemente ainda é um desafio. Isso porque a doença se instala lentamente, sem manifestar todos os sintomas de imediato, sendo algumas vezes confundida com o envelhecimento.

Os sintomas aparecem lentamente e de forma progressiva de tal modo que o diagnóstico é feito muito tempo depois do início da doença, geralmente quando o tumor comprime estruturas vizinhas à hipófise causando também cefaléia e redução da visão. O diagnóstico é iniciado por meio de uma avaliação clínica, sendo confirmado por dosagens hormonais apropriadas e exames de imagem.

O diagnóstico tardio pode trazer graves conseqüências, como hipertensão arterial, cálculo renal, insuficiência cardíaca, aumento do colesterol e de triglicérides, pólipos intestinais (lesões precursoras do câncer colorretal), apnéia do sono e diabetes, podendo levar à morte.

Quais são os sintomas da doença?

O excesso de GH provoca o aumento dos lábios, queixo, orelhas, nariz, mãos e pés, além de poder provocar diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca. Os principais sintomas são: dores articulares, aumento de extremidades (mãos e pés) e órgãos internos, embutrecimento da face e aumento do suor.

Segundo especialistas, a maioria dos pacientes convive anos com a acromegalia e enfrenta uma verdadeira peregrinação até receber o diagnóstico correto que, em geral, é feito de cinco a dez anos após o aparecimento do tumor responsável pela doença. Dependendo do que sentem, procuram o cardiologista, o ortopedista, o reumatologista e dentista ficam anos tratando os sintomas e não a causa.

Como é o tratamento?

Se tratada adequadamente, a acromegalia é controlada e os sintomas desaparecem. As opções de tratamento são cirurgia, tratamento medicamentoso e, em alguns casos, radioterapia. Embora seja eficaz na maioria dos casos e recomendada como tratamento primário por vários autores, a cirurgia não é uma boa alternativa para muitos pacientes em função de seu estado clínico ou extensão do tumor. Por isso, o tratamento medicamentoso torna-se uma ótima opção, podendo beneficiar de 50% a 70% dos pacientes , ao reduzir os tumores significativamente.

Anemia falciforme

O que é anemia falciforme?

A anemia falciforme (AF) é uma doença hematológica hereditária que atinge milhões de pessoas no mundo todo. Ela altera a forma das células sangüíneas causando o bloqueio dos vasos sangüíneos. Esse bloqueio, dependendo de onde ocorrer no organismo, pode causar danos ao tecido pulmonar, crises de dor, derrame (AVC) hemorrágicos, danos aos órgãos, inclusive o baço, fígado e rins e maior susceptibilidade a infecções.

Doença de origem hereditária, estima-se que, a cada ano, cerca de 250 mil crianças nascem com AF. Há ainda mais de 200 milhões de pessoas portadoras do gene da doença, isto é, pessoas que possuem o traço ou gene que causa a anemia falciforme, mas não apresentam os sintomas. Embora não haja cura para a doença, o diagnóstico precoce pode ajudar as pessoas a viver por mais tempo, com mais saúde e melhor qualidade de vida.

Quais são os sintomas da doença?

Os sinais e sintomas da AF variam de muito leves a graves, dependendo da pessoa. Os mais comuns são os relacionados à anemia, ou seja, fadiga, palidez e falta de ar, além de dores nos órgãos e nas juntas. Dentre outros sintomas estão: inchaço nas mãos e pés, problemas de visão, infecções, atraso no desenvolvimento físico, feridas nas pernas, derrame, cálculos biliares e, nos homens, priapismo (ereções dolorosas não acompanhadas de desejo sexual).

Como diagnosticar a doença?

A maior taxa de mortalidade entre pessoas com AF ocorre durante o primeiro ano de vida, isso significa que a detecção da doença é fundamental. O diagnóstico requer que seja feito um simples exame de sangue nos recém-nascidos (teste do pezinho). Ainda não existe cura para a anemia falciforme.

Como é o tratamento?

A AF é controlada com terapia de apoio, medicação, transfusões de sangue e terapias específicas para tratamento de complicações. Transfusões de sangue freqüentes ajudam os pacientes com AF a reduzir as crises dolorosas recorrentes, o risco de derrame hemorrágico e outras complicações.

Em janeiro de 2006, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou no Brasil o primeiro medicamento oral de administração uma vez ao dia capaz de eliminar o acúmulo de ferro do organismo em pacientes que recebem transfusões sangüíneas constantes, por exemplo os portadores de talassemia, anemia falciforme e síndromes mielodisplásicas.

Artrite

O que é artrite?

Artrite é um termo genérico para aproximadamente 100 doenças que produzem ou uma inflamação no tecido conjuntivo (particularmente nas articulações), ou uma degeneração não-inflamatória desses tecidos. Ela afeta aproximadamente 350 milhões de pessoas no mundo todo. As formas mais comuns são a osteoartrite, uma doença degenerativa causada pelo uso e desgaste da articulação, e a artrite reumatóide, uma doença inflamatória resultante de uma alteração no sistema imunológico.

O que é a osteoartrite?

osteoartrite (OA) é uma doença degenerativa que ocorre quando a cartilagem da articulação, que cobre a terminação do osso, é danificada ou desgastada de forma irregular, tornando a movimentação daquela articulação extremamente difícil e dolorosa. Ela normalmente atinge as articulações do pescoço, do quadril, do joelho e da coluna vertebral e é a causa mais comum de limitação funcional em pessoas idosas. A osteoartrite, segundo estimativas, afeta 90% da população acima de 50 anos, prejudicando a sua capacidade de dirigir, fazer compras, caminhar, banhar-se e fazer outras atividades rotineiras, como subir escadas e abrir latas.

Segundo o Colégio Americano de Reumatologia (ACR), quase 70% das pessoas com mais de 70 anos tem sinais dessa doença, o que torna a osteoartrite a mais comum das artrites.

As causas da osteoartrite

As suas causas são múltiplas, variando desde o desgaste natural pelo uso e idade, até o sobrepeso, que sobrecarrega as articulações maiores (quadril, joelhos, tornozelos). Traumas, lesões e cirurgias nas articulações também podem evoluir com osteoartrite.

Alguns casos de osteoartrite podem ser familiares, ou seja, pais e filhos desenvolvem a doença quando atingem a idade madura, porém, isso não é uma regra. Algumas pessoas que têm pais e mães com essa doença nunca irão desenvolvê-la.

O diagnóstico da osteoartrite é clínico. Durante a consulta o médico poderá ter evidências, pelas queixas, sinais e sintomas, de que se trata desse tipo de alteração degenerativa articular, principalmente quando a articulação afetada é superficial e acessível como, por exemplo, o joelho. Em outros casos, o diagnóstico somente será feito após avaliação laboratorial e radiológica. Um raio-X poderá ser útil nos casos de OA de quadril ou de coluna.

Como tratar a osteoartrite

O tratamento da osteoartrite visa basicamente aliviar os sintomas da doença, uma vez que o desgaste articular não pode ser revertido, exceto por meio de substituição da articulação por uma prótese. A terapia se baseia no alívio da dor, que pode ser conseguido com analgésicos simples ou com drogas antiinflamatórias não-esteróides (AINEs). Eventualmente, nos casos em que não há resposta satisfatória com essas medicações, poderá ser feita uma infiltração de corticosteróides intra ou peri-articular. Atualmente, existem também os produtos para viscossuplementação, ou seja, substâncias parecidas com o líquido sinovial, que preenchem a articulação, injetadas diretamente no espaço articular, aliviando a dor e restaurando as propriedades lubrificantes e elásticas do líquido sinovial.

O que é a artrite reumatóide

A artrite reumatóide, uma doença inflamatória que se manifesta inicialmente nas articulações, afeta cerca de 1 a 2 % da população global e ocorre predominantemente em mulheres. Por razões ainda não bem esclarecidas, o organismo produz uma resposta imunológica contra todas as articulações, causando dor, edema, inflamação e erosões nos ossos e na cartilagem articular. Com o correr do tempo, o paciente evolui para deformidades nestas articulações, acompanhadas de rigidez principalmente pela manhã, imobilidade e perda de movimentos juntamente com intensa dor. Em cerca de 40% dos pacientes que sofrem de formas mais agressivas desta doença, deformidades irreversíveis podem ocorrer, assim como sintomas sistêmicos envolvidos com a produção de um anticorpo chamado fator reumatóide, que é capaz de provocar danos em outros órgãos que não as articulações como, por exemplo, o rim, o fígado e o pulmão.

Embora a artrite reumatóide mais comumente afete as mãos, punhos, joelhos e pés, ela também é comum no cotovelo, ombro, quadril e tornozelo. A maioria dos pacientes começa a apresentar os primeiros sintomas da doença em idades precoces, entre 25 e 40 anos, embora a artrite reumatóide possa ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças (artrite reumatóide juvenil).

Como tratar a artrite reumatóide

As formas atuais de tratamento da artrite reumatóide, assim como da osteoartrite, têm como objetivo prioritário, aliviar a dor do paciente e a inflamação sintomática da artrite. Pesquisadores e cientistas vêm trabalhando incansavelmente para retardar ou mesmo reverter a progressão destas doenças.

Asma

O que é asma?

A asma (ou bronquite alérgica ou ainda, bronquite asmática) é uma doença das vias respiratórias, muito comum, que pode atingir crianças e adultos. Os sintomas surgem por causa da inflamação e do estreitamento dos brônquios – canais que levam o ar até os pulmões. Os sintomas mais freqüentes são: tosse, falta de ar, cansaço, sensação de ‘aperto’ e ‘chiados’ no peito mas, podem variar de pessoa para pessoa.

Causas mais comuns

A asma pode ser causada por vários fatores. A alergia é uma causa freqüente, como por exemplo à poeira e ácaros, pêlos de animais, restos de insetos, mofos e pólens. A poeira é o alérgeno mais nocivo ao aparelho respiratório. Os ácaros são seres microscópicos que habitam o pó doméstico e se alimentam da descamação da pele humana e dos animais. A pessoa pode ser alérgica ao ácaro vivo, morto ou às suas fezes. Os ácaros são responsáveis por 90% de todas as manifestações de alergia respiratória no Brasil. A alergia respiratória acontece devido a um fator genético, ou seja, é hereditária, não sendo obrigatório que se manifeste sempre, podendo aparecer em gerações diferentes e em qualquer idade.

Outras causas: infecções das fias aéreas (gripes e resfriados), fatores ligados ao trabalho da pessoa, etc... A fumaça de cigarro, irritantes das vias aéreas (cheiros fortes, fumaças, poluição atmosférica), mudanças de clima e temperatura, exercícios físicos, fatores emocionais, entre outros, podem funcionar como fatores capazes de desencadear uma crise no paciente que não está bem controlado. Esses fatores irritantes atuam como instrumentos de pressão, que estimulam a crise, da mesma forma que podem provocar reações inflamatórias.

As causas variam para cada pessoa e para cada crise. É importante procurar conhecê-las e, se possível, afastá-las para controlar a asma.

Como reconhecer

A asma pode ser leve, com sintomas discretos como tosse seca e persistente que surge de vez em quando. Em algumas pessoas estes sintomas podem ser mais intensos, com surgimento de chiados e cansaço (sidpnéia), atrapalhando as atividades normais diárias. Em alguns casos, os sintomas são mais graves, sendo necessário o tratamento em hospital.

O diagnóstico correto da asma pode ser feito apenas por um médico. Só ele é capaz de realizar um exame cuidadoso e, se for o caso, solicitar exames complementares como a prova funcional respiratória - que mede o ar que entra e sai dos pulmões - , entre outros procedimentos. Em alguns casos, os testes alérgicos irão auxiliar no diagnóstico.

Crise de asma

É muito importante saber que os sintomas da asma podem variar de uma pessoa para outra e em diferentes situações. Portanto, é necessário ficar alerta para identificar, o mais rápido possível, os primeiros sinais de uma crise e tratá-la prontamente com medicamentos adequados e sempre sob orientação médica.

Há algumas situações comuns que ocorrem em uma crise de asma:
• Impressão de peso no peito;
• Tosse seca, persistente, podendo levar até ao vômito;
• Coceira na garganta e espirros antes de começar uma crise.

Na crise, os músculos que envolvem os brônquios ficam contraídos, as paredes internas incham, há uma maior produção de ‘catarro’ e ocorre uma inflamação das vias pulmonares.

A inflamação é a maior responsável pela manutenção da crise e perpetuação da doença. Uma crise pode ocorrer de modo súbito, mas, em geral, começa fraca e aumenta gradativamente. Se a crise é forte, a respiração se torna difícil, surgindo o cansaço, a tosse e os chiados no peito.

É muito importante conhecer quais são os sinais mais precoces e tratar logo para evitar que a crise piore.

Crise leve

É possível sentir quando uma crise está bem no início. Os sintomas iniciais, geralmente, começam com a sensação de aperto no peito, leve cansaço, tosse ou pigarro insistentes, coceira na garganta, corrimento no nariz e irritação dos olhos. Em algumas pessoas apenas a tosse se manifesta.

Crise moderada

Na crise moderada, os sintomas da crise leve persistem e tendem a serem agravados. O desconforto respiratório torna-se perceptível, sugerindo fadiga e cansaço fácil, e ainda, dispnéia (falta de ar) e chiado. A respiração tende a ficar mais rápida que o usual e já existe prejuízo sensível de sono e das atividades diárias.

Crise grave

É o agravamento dos sintomas manifestados nos dois casos anteriores. O desconforto respiratório torna-se intenso, a respiração é difícil, entrecortada e ofegante. Surgem suores, temperatura baixa, cansaço intenso, falta de ar, dificuldade para falar, caminhar ou alimentar-se. A tosse passa a ser muito incômoda e é possível verificar respiração ofegante com movimento das narinas, uso da musculatura do pescoço e do peito para respirar, lábios e unhas roxas ou azuladas. Estes são sinais de alarme que indicam a hora de procurar um pronto socorro.

Como evitar as crises

A chave do controle da asma é a educação do paciente e seus familiares para que possam reconhecer a doença, tornando-se, assim, parceiros efetivos do médico durante o tratamento. É muito importante procurar conhecer as causas e afastá-las sempre que possível, conhecer os medicamentos e saber como utilizá-los, reconhecer os sinais precoces de uma crise e, o mais importante, seguir à risca o tratamento prescrito pelo médico.

O tratamento da asma

Antes de mais nada é preciso entender o que o tratamento da asma deve ser feito em longo prazo e não apenas durante as crises. Além do controle do ambiente, os medicamentos são importantes para o controle da asma. Existem medicamentos de alívio, isto é, usados na crise para melhorar os sintomas e antiinflamatórios ou preventivos, usados para prevenir as crises.

Os medicamentos de alívio, ou bronquiodilatadores, agem relaxando a musculatura dos brônquios, provocando a bronquiodilatação. Já os medicamentos preventivos combatem a inflamação das vias respiratórias e previnem o aparecimento dos sintomas.

Procure sempre esclarecer com o médico as dúvidas sobre o tratamento e, sempre que houver dúvidas pergunte sobre os medicamentos, como tomar, efeitos colaterais. O sucesso do tratamento depende muito de seguir corretamente as orientações médicas.

Em alguns casos o uso de vacinas pode estar indicado nos casos de alergia, como no caso da poeira domiciliar e dos ácaros. Além disso, a fisioterapia e os exercícios respiratórios estão indicados como tratamentos auxiliares.